RITUAL: Em família, procure escolher um momento adequado para falar sobre as possíveis fontes de conflito, preferindo abordar os problemas de maior complexidade após os períodos intempestivos.
De uma forma geral, o conceito de família parece estar associado à ideia de uma estrutura geradora de afecto entre os diversos membros, proporcionadora de segurança, aceitação pessoal, satisfação e sentimento de pertença assegurando a continuidade das relações num universo de referências estável. Ao analisarmos a nossa vida, esta quase sempre aparece repleta de influências dos membros familiares. Exemplo disso é o prato de que mais gostamos (muitas vezes coincidente com o que a nossa mãe elabora como ninguém), o clube de futebol que apoiamos (e que elegemos por causa do pai/mãe, tio/tia ou avô/avó serem adeptos), os tiques que observámos e nos habituámos a reproduzir, a maneira de falar (carregada de expressões que só a nossa família sabe significar) e tantos outros pormenores que, inevitavelmente, herdamos e assumimos como se fossem originalmente nossos.
Pensando em todos estes pontos, esquece-se muitas vezes, que é também, em família que interiorizamos regras e normas de conduta, contribuindo para o processo de socialização e respeito pela autoridade através dos modelos parentais e do conhecimento do que é ou não correcto (com a aprendizagem das regras e normas, direitos e obrigações características das sociedades humanas).
Desta forma, é normal que nenhuma família esteja imune ao aparecimento de dificuldades ou problemas, sendo esperado que os relacionamentos e laços sobrevivam e ultrapassem as crises que surgem no seu curso de vida (ajudando até a resolver outros conflitos em áreas diferentes da vida). Como estamos entre entes queridos, o grande desafio será o de transformar o conflito num elemento enriquecedor para as partes envolvidas, através de uma evolução e transformação nas relações, numa maior aproximação e compreensão entre os membros, bem como um aumento das atitudes de respeito e colaboração entre os envolvidos. O que fazer então para melhor gerir as tensões, conflitos ou stress no seio familiar?! Deixamos algumas sugestões.
CONSIDERAÇÕES:
• Comece por colocar a tónica não no “porquê” mas sim no “como pode esta crise ser tornada positiva”. Há quanto tempo não punha “em pratos limpos” esse assunto com o seu marido? Há quanto tempo não sentia já que havia qualquer coisa a incomodar o seu filho/a? Tenha desde logo presente que quase todas as pessoas desejam um acordo (em detrimento de uma disputa) daí que, criadas as condições para o diálogo, a solução emergirá!
• Distinga o essencial do acessório. Comece por estabelecer um consenso face ao que é prioritário e que objectivamente deverá ser mudado, começando por tratar os assuntos mais fáceis em direcção aos mais difíceis – um entendimento é sempre um entendimento e as questões menores podem funcionar como exemplo para os casos mais graves.
• Note que quando as situações geradoras de conflito são muito recentes e os protagonistas estão “fora de si”, certamente não existirá a disponibilidade desejada para cada um se contenha e escute o que o outro tem para lhe dizer. Nestas circunstâncias, porque não dar uma volta de bicicleta ou fazer um passeio a pé antes de tomar qualquer posição ou decisão?
• No momento de debate, encare a (re)solução do problema como um exercício activo: seja permeável à argumentação e contra-argumentação de outrem mas tente também introduzir uma espécie de “auto-interrogatório” que venha a validar o sentido da sua decisão: “E se isto acontecesse a um amigo meu, que conselho lhe daria? Será que amanhã tomaria exactamente a mesma decisão?” Reflicta ainda acerca da rigidez da sua posição e até que pode esta estará a ser impeditiva para o alcance de novas soluções. Porque não tentar conceber que todas as partes serão co-protagonistas neste enredo?
• Não menospreze a exploração de uma série de alternativas e outros pontos de vista igualmente plausíveis, considerando sempre que puder a opinião das pessoas que são para si uma referência. Muitas vezes, a primeira decisão que intuitivamente avançamos é a mais acertada mas outras vezes esta é a simples consequência de alguma “preguiça” mental! Não permita que esse pensamento primordial seja exclusivo ou ingenuamente tomado como verdade absoluta.
• A fase seguinte implica a partilha de dados e a exploração do desacordo: “Em que discordamos e concordamos? O que serei capaz de abdicar? Quais as soluções alternativas que servem os interesses comuns?” Trate cada tema de uma vez de forma a “não misturar as águas” e procure, em conjunto, possíveis vias de solução para a situação.
• Finalmente, avalie claramente se o problema ficou resolvido para todas as partes envolvidas e, sobretudo, reflicta sobre o que pode ser feito para evitar outro acontecimento deste tipo.